São Paulo, 04 de maio de 2009
16:45 h
Caramba, tá difícil.
Começa até a doer por dentro. O cérebro fixa um pensamento e a cada instante fica dando um check-list e te avisa que você ainda não deu pra ele a dose de nicotina que ele está acostumado.
Ainda não falei pra ninguém, afinal fazem apenas quatro horas que eu parei de fumar.
A gente é esperto, não contar pra ninguém significa não ter que mostrar que foi fraco, em caso de desistência. Por isso fiz o blog, imagino que ninguém vá ler mesmo, postar comentário então, nem pensar. A princípio só eu leio e escrevo, como um diário mesmo. Quero relatar minhas angústias sem ficar escolhendo muito as palavras, revendo as concordâncias e a pontuação.
Sempre soube que se eu parasse de fumar minha vida ficaria vazia. Me sentiria um fraco por ter desistido de fumar. Como vai ficar o costume, o prazer e o vício? Não vou ter que me preocupar se tenho ou não cigarros ... Se alguém do meu lado fumar, o que eu vou fazer? Sim porquê isso agora está em evidência. A própria pessoa saberá que poderá estar me desistimulando da vontade de parar de fumar.
Fumo desde os quinze anos, quando do meu primeiro dia no emprego resolvi, ao sair de casa pela manhã, passar na padaria e comprar meu primeiro maço de cigarros. Era a minha independência, já era homem e podia fumar na rua, nos bailinhos, nos intervalos das aulas. Daí para fumar em casa foi só um pulinho. Meu pai, meu irmão e minha irmã fumavam. Meu pai e minha irmã já morreram, com complicações de saúde onde o vício de fumar só complicara seu restabelecimento. Meu irmão parou quando seu filho de 29 anos era bem pequeno. A saúde dele, hoje em dia, não é grande coisa não. Imaginem se ele não tivesse parado de fumar.
Até hoje ele afirma que ao sentir o cheiro de cigarro, às vezes, tem alguma vontade de fumar. Nunca o fez, pois nunca pôs um cigarro na boca desde então. Ele usou uma tática um tanto quanto ousada. Acendia normalmente o cigarro e deixava-o no cinzeiro, até queimar. De vez em quando punha-o na boca, mas não tragava. Só engolia a fumaça e soltava. Foi ficando sem graça até que os cigarros, as horas e os dias foram se espaçando ... até o êxito final.
Meu caso foi mais extremo. Fui comprar cigarros (LM azul), quando descobri que hoje (04/05/2009) o preço havia aumentado e passara a custar R$ 3,50 por maço. Antes era R$ 2,60. Sou marido, pai, irmão e filho e, no momento, estou duro-que-nem-um-pau. Tinha contado as últimas moedinhas da carteiirinha da minha mãe quando tive a fatídica notícia do aumento. Fiquei indignado com o percentual do aumento (34,6 %). Perguntei se não teria nenhum cigarro com preço velho. Não! Caramba, meu dinheiro não dava e não tinha mais moedas à disposição naquele momento. Fui pra onde eu tinha que ir e no caminho, dirigindo, me veio uma voz interna dizendo porque eu não parava de fumar? Aquilo tudo era ultrajante, contar as moedas da própria mãe, pedir dinheiro para a filha do meio, e, ao mesmo tempo, ouvir do meu filho mais velho que ele não toma o metrô para não pagar a passagem, preferindo esperar um ônibus a mais e ficar dentro do mesmo bilhete único (válido por duas horas). Minha filha mais nova me falando que colocou R$ 7,00 no bilhete único dela ... E eu pensando em gastar R$ 3,50 por dia, no mínimo!
Essa história de blog parece estar dando certo. Já são 17:45 h e ainda não fumei. Só enquanto escrevia esse post passou uma hora inteira. Que bom! Agora vou postar, levantar da cadeira e se Deus quiser não vou fumar agora não.
16:45 h
Caramba, tá difícil.
Começa até a doer por dentro. O cérebro fixa um pensamento e a cada instante fica dando um check-list e te avisa que você ainda não deu pra ele a dose de nicotina que ele está acostumado.
Ainda não falei pra ninguém, afinal fazem apenas quatro horas que eu parei de fumar.
A gente é esperto, não contar pra ninguém significa não ter que mostrar que foi fraco, em caso de desistência. Por isso fiz o blog, imagino que ninguém vá ler mesmo, postar comentário então, nem pensar. A princípio só eu leio e escrevo, como um diário mesmo. Quero relatar minhas angústias sem ficar escolhendo muito as palavras, revendo as concordâncias e a pontuação.
Sempre soube que se eu parasse de fumar minha vida ficaria vazia. Me sentiria um fraco por ter desistido de fumar. Como vai ficar o costume, o prazer e o vício? Não vou ter que me preocupar se tenho ou não cigarros ... Se alguém do meu lado fumar, o que eu vou fazer? Sim porquê isso agora está em evidência. A própria pessoa saberá que poderá estar me desistimulando da vontade de parar de fumar.
Fumo desde os quinze anos, quando do meu primeiro dia no emprego resolvi, ao sair de casa pela manhã, passar na padaria e comprar meu primeiro maço de cigarros. Era a minha independência, já era homem e podia fumar na rua, nos bailinhos, nos intervalos das aulas. Daí para fumar em casa foi só um pulinho. Meu pai, meu irmão e minha irmã fumavam. Meu pai e minha irmã já morreram, com complicações de saúde onde o vício de fumar só complicara seu restabelecimento. Meu irmão parou quando seu filho de 29 anos era bem pequeno. A saúde dele, hoje em dia, não é grande coisa não. Imaginem se ele não tivesse parado de fumar.
Até hoje ele afirma que ao sentir o cheiro de cigarro, às vezes, tem alguma vontade de fumar. Nunca o fez, pois nunca pôs um cigarro na boca desde então. Ele usou uma tática um tanto quanto ousada. Acendia normalmente o cigarro e deixava-o no cinzeiro, até queimar. De vez em quando punha-o na boca, mas não tragava. Só engolia a fumaça e soltava. Foi ficando sem graça até que os cigarros, as horas e os dias foram se espaçando ... até o êxito final.
Meu caso foi mais extremo. Fui comprar cigarros (LM azul), quando descobri que hoje (04/05/2009) o preço havia aumentado e passara a custar R$ 3,50 por maço. Antes era R$ 2,60. Sou marido, pai, irmão e filho e, no momento, estou duro-que-nem-um-pau. Tinha contado as últimas moedinhas da carteiirinha da minha mãe quando tive a fatídica notícia do aumento. Fiquei indignado com o percentual do aumento (34,6 %). Perguntei se não teria nenhum cigarro com preço velho. Não! Caramba, meu dinheiro não dava e não tinha mais moedas à disposição naquele momento. Fui pra onde eu tinha que ir e no caminho, dirigindo, me veio uma voz interna dizendo porque eu não parava de fumar? Aquilo tudo era ultrajante, contar as moedas da própria mãe, pedir dinheiro para a filha do meio, e, ao mesmo tempo, ouvir do meu filho mais velho que ele não toma o metrô para não pagar a passagem, preferindo esperar um ônibus a mais e ficar dentro do mesmo bilhete único (válido por duas horas). Minha filha mais nova me falando que colocou R$ 7,00 no bilhete único dela ... E eu pensando em gastar R$ 3,50 por dia, no mínimo!
Essa história de blog parece estar dando certo. Já são 17:45 h e ainda não fumei. Só enquanto escrevia esse post passou uma hora inteira. Que bom! Agora vou postar, levantar da cadeira e se Deus quiser não vou fumar agora não.
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